sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012



CRÔNICAS ESSENCIAIS
Dr. Adgar Bittencourt , membro da ACO
 



Reflexões sobre o Carnaval

No meio das cinzas abro um espaço para comentar o magnífico carnaval de Joaçaba e Herval d´Oeste. Depois de muitos anos assisti, pela primeira vez, as três escolas de samba desfilarem os seus enredos pela avenida, no sábado e na segunda-feira. Na primeira noite, a grande novidade: a presença do governador Raimundo Colombo mandando a todos a mensagem de que o Carnaval do Meio Oeste é tão importante como o mesmo evento em Florianópolis, Laguna, Lages, Balneário de Camboriú. Essa é a interpretação para a “galera” em geral. Para os políticos fica evidente a intenção de Colombo: alavancar uma candidatura viável para o seu partido, o PSD, numa das cidades, culturalmente, mais importantes do Estado. Também, politicamente, representa prestigiamento inequívoco e uma mensagem de união entre o prefeito Rafael Mamão e o mais próximo político do governo na região, o empresário Marcos Zanardo, o grande vitorioso desse Carnaval. Resgatada a sintonia, o Mamão será o candidato do PSD, liderando uma coligação e poderá emplacar um segundo mandato.
Na segunda feira, posicionando-se como maior autoridade presente no desfile do povo como é chamado, o deputado federal Celso Maldaner, numa clássica mania dos políticos do PMDB, atropelou o processo e lançou, à revelia dos dirigentes partidários locais, uma candidatura pura, colocando na mesma chapa o Armindo para prefeito e o Marquinhos para vice. Poucas horas antes, o próprio Armindo já se teria lançado na cabeça em uma emissora local. Mesmo com o som elevadíssimo das baterias das três escolas, a pisada política no tomate do ETÊ federal Maldaner repercutiu como uma bomba. No palanque oficial onde estive convidado pelo prefeito, pelo presidente da Liga e fazendo o “marketing” da campanha de prevenção do HUST encontrei o Zé-presidente do PMDB andando de um lado para o outro feito cachorro caído de mudança e o Marquinhos, tipo pintor sem escada. Segundo eles, a chapa pura teria vindo do próprio Michel Temmer, via Eduardo Pinho Moreira, que estariam muito preocupados com a situação em Joaçaba. Esta fórmula mágica atrairia o PT de Joaçaba que, por “ordem direta” da Dilma apoiaria a chapa pura, sem cobrar nada, salvando a futura coligação PT/PMDB para o bem da sucessão da própria “Presidenta.” Caramba! Que eu saiba, o nosso Pinho não era recebido em Brasília, nem pela Ideli! Será que mudou?! “Vejam só o que o carnaval e alguns copos de chope fazem na cabeça das pessoas!”
Ao ouvir tudo isso dei-me conta de que eu também estava no palanque e na tonteira do carnaval. Senti vontade de encontrar o amigo e sempre correligionário do velho MDB, Chico Volpato, mais o Claudino, para uma sonora gargalhada!
Voltando ao evento carnaval: lindo desfile! Resultado justo, embora eu torcesse pela Aliança. Péssimo trabalho da comissão de jurados. Portou-se como professor vadio que não corrige as provas e dá dez pra todo mundo. Se a ótica tinha que ser essa, a Unidos merecia ficar a um décimo da segunda e três décimos da primeira. Apresentou o melhor samba, um tema excelente, abordando um conceito universal - a paz -; valorizou a imigração japonesa regional “botando” o município de Frei Rogério no mapa. A Vale foi soberba como comunidade, embora cantando um tema com gosto de comida requentada. A Aliança, desculpem os meus queridos, tem que exorcizar a “pasteurização”, as fórmulas perfeitas, correr riscos e apostar num tema regional vibrante, como a beleza das loiras, a criação dos nossos artistas, a estética do Contestado, a roubalheira das cooperativas, o sucesso do trabalho organizado, enfim... no enterro dos ossos, todos estamos felizes! Ao batente!

Dr. Adgar Bittencourt, escritor e membro da ACO 
adgar.bittencourt@unoesc.edu.br


Fonte: Bom Dia Santa Catarina

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